Cultura de segurança do paciente na percepção de profissionais técnicos de enfermagem

ARTCULO ORIGINAL

 

Cultura de segurana do paciente na percepo de profissionais tcnicos de enfermagem

 

Culture of patient safety from the perception of nursing technicians of a general hospital

 

Cultura de seguridad del paciente en la percepcin de profesionales tcnicos de enfermera

 

 

Catile Raquel Schmidt Cati, Marli Maria Loro Marli, Fabiele Aozane Fabi, Jaqueline Herter Soares Jaque, Greice Letcia Toso Gre, Adriane Cristina Bernat Kolankiewicz Adri

Universdade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (UNIJU).

 

 


RESUMO

Introduo: instituies hospitalares que tm como premissa norteadora a segurana do paciente oferecem a assistncia segura e de qualidade. Neste contexto, identificar indicadores da cultura de segurana, pode servir como iniciativa para acarretar mudanas positivas nas instituies, melhorando a comunicao entre profissionais, a confiana, resultando em eficcia da preveno.
Objetivo: avaliar a percepo dos tcnicos de enfermagem atuantes em um hospital geral de porte IV acerca do clima de segurana.
Mtodos: estudo transversal, realizado com 345 tcnicos de enfermagem. Para a coleta de dados utilizou-se o Questionrio de Atitude de Segurana, Safety Atitudes Questionnaire, no segundo semestre de 2014. O ponto de corte para avaliao positiva foi =75 pontos. Dados analisados pela estatstica descritiva.
Resultados: os escores por domnio foram: clima de trabalho em equipe 75 % satisfao no trabalho 87 % clima de segurana 72 % do estresse 57 % da gerncia da unidade 64, percepo da gerncia do hospital 63 % e condies de trabalho 73 %.
Concluses: a satisfao no trabalho e clima de trabalho em equipe foram os domnios que obtiveram mdias satisfatrias, o que refle diretamente na qualidade da assistncia prestada. As mdias mais baixas foram em relao percepo da gerncia, aspecto que pode evidenciar distanciamento entre os profissionais de diferentes nveis hierrquicos. Resultados podem contribuir para o planejamento e organizao das aes, no intuito de qualificar o atendimento e os profissionais atuantes.

Palavras chave: tcnicos de enfermagem; segurana do paciente; servio hospitalar de admisso de pacientes; cultura organizacional.


RESUMEN

Introduccin: instituciones hospitalarias que tienen como premisa la seguridad del paciente ofrecen asistencia segura y de calidad. En este contexto, identificar indicadores de la cultura de seguridad, que sirvan como iniciativa para provocar cambios positivos en las instituciones, mejorando la comunicacin entre profesionales, la confianza, resultando en eficacia de la prevencin.
Objetivo: evaluar la percepcin de los tcnicos de enfermera actuantes en un hospital general de porte IV acerca del clima de seguridad.
Mtodos: estudio transversal, realizado con 345 tcnicos de enfermera. Para la recoleccin de datos se utiliz el Cuestionario de Actitud de Seguridad, Safety Atitudes Questionnaire, en el segundo semestre de 2014. El punto de corte para evaluacin positiva fue =75 puntos. Los datos fueron analizados por estadstica descriptiva.
Resultados: las puntuaciones por dominio fueron: clima de trabajo en equipo 75 %, satisfaccin en el trabajo 87 %, clima de seguridad 72 %, percepcin do estrs 57 %, percepcin da gerencia de la unidad 64 %, percepcin de gerencia del hospital 63 % y condiciones de trabajo 73 %.
Conclusiones: la satisfaccin en el trabajo y el clima de trabajo en equipo fueron los dominios que obtuvieron medias satisfactorias, lo que se refleja directamente en la calidad de la asistencia prestada. Las medias ms bajas fueron en relacin a la percepcin de la gerencia, aspecto que puede evidenciar distanciamiento entre los profesionales de diferentes niveles jerrquicos. Los resultados pueden contribuir a la planificacin y organizacin de las acciones, con el fin de calificar la atencin y los profesionales actuantes.

Palabras clave: tcnicos de enfermera; seguridad del paciente; servicio hospitalario de admisin de pacientes; cultura organizacional.


ABSTRACT

Introduction: Hospitals whose premise guiding patient safety provide safe and quality care. It sought to then evaluate the perception of the nursing technician's patient safety, since these are coordinated by a nurse, and provide direct care to the individual, which features a challenge for patient safety culture. In this context, identify safety culture indicators can serve as an initiative to bring about positive changes in the institutions, improving communication between professionals, trust, resulting in effective prevention. Objective: To assess the perception of nursing technicians working in a size IV general hospital about the climate of safety.
Methods: This is a cross-sectional study, conducted with 345 nursing technicians. In order to collect data, we used the Questionrio de Atitude de Segurana, Safety Attitudes Questionnaire, in the second half of 2014. The cutting point for positive assessment was = 75 points. Data were analyzed by means of descriptive statistics.
Results: The scores by domain were: climate of team work (75 %), satisfaction in work (87 %), climate of safety (72 %), perception of stress (57 %), perception of unit management (64 %), perception of hospital management (63 %) and working conditions (73 %).
Conclusions: work satisfaction and teamwork climate were the domains that obtained satisfactory averages, which directly reflects the quality of care provided. The lowest means were in relation to the management perception, an aspect that can show distancing between professionals of different hierarchical levels. Results can contribute to the planning and organization of the actions, in order to qualify the attendance and the working professionals.

Keywords: Nursing technicians; Patient safety; Hospital service for admitting patients; Organizational culture.


 

 

INTRODUO

A segurana do paciente tem sido uma preocupao constante nas instituies hospitalares. Para tanto, a consolidao da segurana do paciente se configura como uma das propostas de melhoria da qualidade, pois os seus constructos permitem remodelar os processos de trabalho, fazendo com que estratgias seguras aprimorem a assistncia em sade.1

Nesse contexto, ter a medida de alguns indicadores, como a cultura de segurana naquele servio de sade, pode servir de iniciativa a fim de gerar mudanas organizacionais e comportamentais dos profissionais nas instituies de sade, sendo a Cultura de Segurana o resultado da interao de atitudes, percepes, valores, competncias individuais e grupais sobre as questes de segurana. Instituies com cultura de segurana satisfatria so caracterizadas por comunicao eficaz entre os profissionais, confiana mtua e percepes comuns a respeito da importncia da segurana e eficcia de aes preventivas.2

A cultura de segurana pode ser mensurada por meio do clima de segurana, entendido como a medida temporal da cultura, por meio das percepes dos profissionais quanto cultura de segurana de sua instituio. Na rea da sade, o clima de segurana satisfatrio est associado com a adoo de atitudes seguras e reduo dos eventos adversos, diretamente relacionados segurana do paciente. Os trs principais fatores diretamente relacionados adoo de atitudes seguras e diminuio de eventos adversos so: comportamentos da gerncia frente s questes de segurana, presena de polticas de preveno de riscos e a presso no ambiente de trabalho.2

Estes fatores influenciam diretamente na segurana e refletem-se na produo do cuidado. Condies de trabalho, comunicao, disponibilidade de equipamentos, conhecimento e habilidade so fatores que contribuem para a oferta do cuidado com qualidade. Entretanto, por vezes, podem ser prejudicados, conforme a tomada de deciso da gerncia, da organizao institucional e a partir das caractersticas individuais dos trabalhadores e pacientes.3

Dentre os profissionais da sade, a Enfermagem, neste espao de oferta de cuidados, a que atua diretamente com o paciente, desenvolve aes desde preveno de doenas at a reabilitao. Conforme a organizao brasileira da enfermagem, predomina frente assistncia de cuidados a atuao dos tcnicos de enfermagem coordenados por um enfermeiro. Justifica-se a realizao deste estudo, tendo em vista a complexidade dos pacientes internados em ambientes hospitalares e a estimativa de que todos os anos ocorram danos sade de milhares de pacientes em diversos pases. Mesmo o cuidado em sade trazendo benefcios a todos os envolvidos, a ocorrncia de erros possvel, e pode resultar em graves consequncias para os pacientes.4

Este estudo poder contribuir para as instituies hospitalares, de ensino e comunidade cientfica, pois ir retratar como a cultura de segurana de tcnicos de enfermagem, lacuna identificada na literatura. Em virtude da complexidade que envolve o fazer da enfermagem, este estudo teve como objetivo avaliar a percepo dos tcnicos de enfermagem atuantes em um hospital geral de porte IV acerca do clima de segurana.

 

MTODOS

Trata-se de um estudo transversal, de abordagem quantitativa. Realizado com tcnicos de enfermagem selecionados por convenincia, no perodo de junho a setembro de 2014, de um hospital de porte IV da regio noroeste do Estado do Rio Grande do Sul.

Destaca-se que a instituio hospitalar tinha no perodo supracitado 599 profissionais de enfermagem e, destes, 509 eram tcnicos de enfermagem. A pesquisa teve como critrios de incluso ser auxiliar ou tcnico de enfermagem que trabalhasse havia pelo menos um ms naquele setor, com carga horria semanal mnima de 20 horas. Foram excludos aqueles que encontravam-se em licena sade.

A coleta de dados foi realizada por meio do Questionrio de Atitude de Segurana, Safety Atitudes Questionnaire (SAQ), desenvolvido por pesquisadores da Universidade do Texas Eric Thomas, John B Sexton e Robert L Helmreich, que o criaram partir de outras escalas:Intensive Care Unit Managet Attitudes Questionnaire e o Flight Managent Attitudes Questionnaire, no ano de 2006. No Brasil a escala foi adaptada no ano de 2012 pelas pesquisadoras Rhanna Emanuela Fontenele Lima de Carvalho e Silvia Helena De Bortoli Cassiani, conforme a cultura e realidade dos hospitais do pas. O SAQ tem capacidade de fornecer informaes referentes a necessidades de implementaes na instituio que influenciam no clima de segurana.

A coleta de dados foi realizada por bolsistas e auxiliares de pesquisa devidamente capacitados para a coleta com os profissionais. Anterior coleta de campo com os sujeitos da pesquisa foi realizado um estudo piloto. Destaca-se ainda que estes participantes no compuseram a populao do estudo. O instrumento composto por duas partes: a primeira contm 41 questes, envolvendo a percepo sobre segurana do paciente. A segunda parte visa coletar dados do profissional: cargo exercido, sexo, atuao principal e tempo de atuao. Tem capacidade de mensurar a percepo de profissionais de sade atravs de seis domnios:

Clima de Trabalho em Equipe: considerado como qualidade do relacionamento e a colaborao entre os membros de uma equipe (itens 1 a 6); Clima de Segurana: percepo dos profissionais quanto ao comprometimento organizacional para segurana do paciente (itens 7 a 13); Satisfao no Trabalho: viso positiva do local de trabalho (itens 15 a 19); Percepo do Estresse: reconhecimento do quanto os fatores estressores podem influenciar na execuo do trabalho (itens 20 a 23); Percepo da Gerncia: aprovao das aes da gerncia ou administrao, tanto da unidade em que o profissional atua, quanto do hospital como um todo (itens 24 a 29); Condies de Trabalho: percepo da qualidade do ambiente de trabalho (itens 30 a 33). Entretanto os itens 14, e 34 a 36 no fazem parte de nenhum domnio no instrumento original.4

A resposta de cada questo segue a escala de cinco pontos de Likert: opo (A) discorda totalmente, (B) discorda parcialmente, (C) neutro, (D) concorda parcialmente, (E) concorda totalmente, e (X) no se aplica. O escore final varia de 0 a 100, onde zero corresponde pior percepo de atitude de segurana pelos profissionais de sade e 100, melhor percepo. So considerados valores positivos quando o valor do escore igual a 75. A pontuao ordenada da seguinte forma: (A) discorda totalmente vale 0, (B) discorda parcialmente vale 25, (C) neutro vale 50, (D) concorda parcialmente vale 75, e (E) concorda totalmente vale 100.4

O somatrio realizado da seguinte forma: as questes so ordenadas por domnios, assim, somam-se as respostas das questes de cada domnio e divide-se o resultado pelo nmero de questes de cada indivduo.5

A insero dos dados e anlise, foram feitas no programa PASW Statistics (PredictiveAnalytics Software, da SPSS Inc., Chicago - USA) 18.0 for Windows. A avaliao da confiabilidade da escala global e de suas respectivas dimenses foi realizada por meio do coeficiente Alpha de Cronbach.

O estudo respeitou os preceitos ticos da Resoluo 466-2012. Projeto aprovado pelo Comit de tica em Pesquisa (CEP) da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (UNIJUI) sob o Parecer consubstanciado n 652.976 de 09/05/2014.

 

RESULTADOS

Participaram deste estudo 345 profissionais de enfermagem de nvel auxiliar/tcnico distribudos em 24 unidades abertas e fechadas. Foram consideradas unidades hospitalares abertas: Clnica Geral 5 Piso, Pronto Atendimento, Clnica Cirrgica, Clnica Mdica, Clnica Peditrica, Clnica Cardiolgica, Clnica Oncolgica, Maternidade, Endoscopia, Medicina Nuclear, Ambulatrio Cardiovascular, Laboratrio de Especialidades, Berrio, Radiologia, Hemodilise, Quimioterapia, Radioterapia, que representam 61,1 % dos trabalhadores. As unidades fechadas so: Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) Adulto, Peditrica e Neonatal, Unidade Cardiolgica Intensiva (UCI), Centro Cirrgico, UTI Coronariana, Centro de Material Esterilizado (CME), Hemodinmica, Unidade de Recuperao Anestsica (URPA).

Do total dos profissionais participantes do estudo, 36,8 % encontram-se em fase produtiva, na faixa etria entre 26 e 40 anos de idade; destes, 61,7 % atuavam com pacientes adultos e 26,1 % possuam tempo de especialidade entre 5 e 10 anos. Estes dados podem ser evidenciados na tabela 1.

Na tabela 2 so apresentadas as distribuies das respostas dos profissionais de enfermagem por questo do questionrio SAQ.

 

Tabela 2. Anlise descritiva, por questo, dos dados de profissionais de enfermagem

DOMÍNIO QUESTÕES RESPOSTAS

DT (%)

DP

(%)

N (%)

CP (%)

CT (%)

NA

(%)

 

 

 

 

 

Clima de

Trabalho em

Equipe

1. As sugestões do(da) enfermeiro(a) são bem recebidas nesta área;

0,3

6,1

8,1

39,4

45,5

0,6

2. R* Nesta área é difícil falar abertamente se eu percebo um problema com o cuidado ao paciente;

26,1

16,2

13,6

24,3

15,7

4,1

3. Nesta área, as discordâncias são resolvidas de modo apropriado (ex.: não quem não está certo, mas o que é melhor para o paciente);

3,5

7,2

15,9

30,1

42,0

1,2

4. Eu tenho o apoio de que necessito de outros membros da equipe para cuidar dos pacientes;

1,4

4,6

7,2

34,5

50,1

2,0

5. É fácil para os profissionais que atuam nesta área fazerem perguntas quando existe algo que eles não entendem;

2,3

2,9

6,4

22,3

64,9

1,2

6. Os(as) médicos(as) e enfermeiros(as) daqui trabalham juntos como uma equipe bem coordenada;

3,8

10,7

10,4

38,6

36,2

0,3

 

 

 

Clima de

Segurança

7. Eu me sentiria seguro(a) se fosse tratado(a) aqui como paciente;

3,8

5,5

14,5

31,6

43,5

1,2

8. Erros são tratados de modo apropriado nesta área;

3,5

9,6

14,8

34,5

36,2

1,4

9. Eu conheço os meios adequados para encaminhar as questões relacionadas à segurança do paciente nesta área;

2,0

3,5

8,4

26,4

57,7

2,0

10. Eu recebo retorno apropriado sobre meu desempenho;

7,8

13,0

16,5

32,2

29,0

1,4

11. R* Nesta área é difícil discutir sobre erros;

18,6

20,6

18,6

26,4

15,4

0,6

12. Sou encorajado(a) por meus colegas a informar qualquer preocupação que eu possa ter quanto à segurança do paciente;

2,6

3,8

9,6

26,4

55,7

2,0

13. A cultura nesta área torna fácil aprender com os erros dos outros;

8,4

8,1

25,5

23,2

30,1

4,6

14*. Minhas sugestões sobre segurança seriam postas em ação se eu as expressasse à administração;

9,0

11,9

35,9

19,7

17,7

5,8

 

Satisfação no trabalho

15. Eu gosto do meu trabalho;

0,3

0,9

2,0

4,6

91,6

0,6

16. Trabalhar aqui é como fazer parte de uma grande família;

1,2

4,6

7,5

27,2

59,1

0,3

17. Este é um bom lugar para trabalhar;

0,3

2,0

5,5

22,3

69,6

0,3

18. Eu me orgulho de trabalhar nesta área;

0,6

1,2

3,5

10,1

84,1

0,6

 

Percepção do stress

19. O moral nesta área é alto;

4,9

5,2

21,2

35,1

32,8

0,9

20. Quando minha carga de trabalho é excessiva, meu desempenho é prejudicado;

7,5

11,3

11,9

35,9

32,8

0,6

21. Eu sou menos eficiente no trabalho quando cansado(a);

16,2

13,9

10,4

34,8

24,3

0,3

22. Eu tenho maior probabilidade de cometer erros em situações tensas ou hostis;

19,1

15,4

11,9

27,0

25,8

0,9

23. O cansaço prejudica meu desempenho durante situações de emergência (ex.: reanimação cardiorrespiratória, convulsões);

30,7

16,8

12,2

21,2

15,9

3,2

Percepção da Gerência

Unidade

Hospital

24. UNIDADE A administração apoia meus esforços diários;

6,7

9,3

27,2

29,9

26,1

0,9

24. HOSPITAL A administração apoia meus esforços diários;

11,0

8,7

38,8

23,8

15,1

2,6

25. UNIDADE A administração não compromete conscientemente a segurança do paciente;

9,0

12,5

33,6

21,7

20,0

3,2

25. HOSPITAL A administração não compromete conscientemente a segurança do paciente;

8,1

9,6

41,4

19,4

18,0

3,5

26. UNIDADE A administração está fazendo um bom trabalho;

3,8

5,8

20,6

33,0

36,8

26. HOSPITAL A administração está fazendo um bom trabalho;

3,5

6,1

27,8

32,5

30,1

27. UNIDADE Profissionais problemáticos da equipe são tratados de maneira construtiva por nossa; (?)

8,1

13,9

30,7

24,3

20,6

2,3

27. HOSPITAL Profissionais problemáticos da equipe são tratados de maneira construtiva;

7,5

10,1

38,0

23,8

17,1

3,5

28. UNIDADE Recebo informações adequadas e oportunas sobre eventos que podem afetar meu trabalho;

6,4

5,5

22,3

29,9

33,6

2,3

28. HOSPITAL

Recebo informações adequadas e oportunas sobre eventos que podem afetar meu trabalho;

6,7

6,4

31,3

23,2

29,6

2,9

29 Nesta área, o número e a qualificação dos profissionais são suficientes para lidar com o número de pacientes;

18,8

20,9

11,6

25,8

22,0

0,9

Condições de trabalho

30. Este hospital faz um bom trabalho no treinamento de novos membros da equipe;

3,8

8,1

13,9

27,2

47,0

31. Toda informação necessária para decisões diagnósticas e terapêuticas está disponível rotineiramente para mim;

5,2

10,7

22,3

30,1

28,1

3,5

32. Estagiários da minha profissão são adequadamente supervisionados;

4,1

8,7

17,7

23,2

39,4

7,0

 

R*- Itens reversos. DT - Discordo totalmente; DP - Discordo parcialmente; N - Neutro; CP - Concordo parcialmente; CT - Concordo totalmente; NA - No se aplica.

O domnio Satisfao no Trabalho obteve escore mximo; alm deste, tambm alcanaram mdia satisfatria o Clima de Trabalho em Equipe 4, Clima de Segurana 4, Gerncia da unidade 4, Gerncia do hospital 4 e Condies de trabalho 4. Os valores do Alfa de Cronbach foram aceitveis nos domnios Satisfao no Trabalho 0,7 - Percepo de estresse 0,7 e Gerncia do hospital 0,7 (tabela 3).

Os dados da tabela 4 evidenciam os escores obtidos por domnios, demonstrando escores satisfatrios nos domnios de Clima de Trabalho em Equipe e Satisfao no Trabalho.

 

DISCUSSO

Buscou-se investigar a percepo dos auxiliares e tcnicos de enfermagem em relao ao clima de segurana no ambiente hospitalar, por serem profissionais com papel fundamental neste contexto e estarem em contato direto com o paciente. A identificao do clima de segurana permite verificar a cultura de segurana no hospital, possibilita ainda conhecer os fatores intervenientes no processo de trabalho que impactam na segurana dos pacientes, fortalece a comunicao efetiva de evidncias cientficas, experincias e recomendaes destinadas a garantir a segurana dos pacientes na ateno sade.

A maioria dos profissionais concordou, total ou parcialmente, com as questes que foram apresentadas, salientando-se que a satisfao no trabalho obteve mdia mxima, demonstrando assim que estes trabalhadores esto na profisso que gostam de desempenhar, o que extremamente positivo, pois relaciona-se diretamente com a qualidade da assistncia prestada e segurana do paciente. Estudo realizado no Hospital de Ensino da cidade de Ribeiro Preto/So Paulo, nas unidades mdicas e cirrgicas, obteve igualmente resultados satisfatrios, com escores superiores a 75.4

Assim como a satisfao no trabalho, o clima de trabalho em equipe tambm obteve mdia positiva, o que evidencia quo importante a compreenso do significado de equipe, para um atendimento adequado, com qualidade e eficincia na assistncia. Ainda, pontua-se que essencial a concepo coletiva do trabalho, bem como o entendimento coletivo de cultura de segurana na instituio.5

Ao contrrio de satisfao no trabalho, o domnio clima de segurana, neste estudo, apresentou escore insatisfatrio. A qualidade da assistncia resulta de um atendimento seguro, com uma cultura de segurana estabelecida, porm, para que isto ocorra, necessrio o envolvimento da instituio e seus gestores, no sentido de identificar a necessidade da cultura de segurana, estabelec-la como rotina, alm de conhecer as dificuldades e desafios enfrentados pela equipe diariamente. Estudo infere que isso implica em criar uma comunicao eficiente, com vistas a construir relao de confiana entre os envolvidos.6

O domnio percepo de gerncia de unidade e gerncia hospitalar obteve os menores ndices. Pesquisa considera que isso pode estar relacionado fragilidade na cultura de segurana, uma vez que reflete em concordar ou no com as atitudes da gerncia frente instituio.4

Os profissionais participantes da pesquisa percebiam a gerncia como importante, para que se tenha clareza e limites das funes de cada indivduo. No entanto, deve ser efetivada de modo que seja possvel ocorrer trocas, compartilhamentos e discusses com os envolvidos no servio. Assim, o treinamento permanente pode refletir positivamente no clima de segurana do paciente, alm de somar responsabilidades pelas decises, o que possibilita estabelecer um elo de segurana entre todos os nveis hierrquicos da instituio.7

Dentre os participantes do estudo, 16,8 % mantinham outro emprego, com predomnio de outra instituio hospitalar. Este fato pode ser considerado um ponto relevante para a segurana do paciente. Estudo pontua que trabalhadores que atuam em mais de um emprego ficam vulnerveis a desenvolver desgastes fsicos e mentais, quando submetidos a uma extensa carga horria de trabalho.8

O domnio percepo do estresse apresentou escore insatisfatrio. A percepo de estresse um fator que pode estar relacionado com a carga horria de trabalho, relacionamento interpessoal com a equipe, com a gerncia, alm de ser influenciado pelo meio social em que o profissional est inserido, entre outros. Nessa medida, autor revela que o stress do profissional pode interferir nas atitudes para a segurana do paciente, com potencial de compromet-las, pois, quando ele sente-se estressado, a probabilidade de erros em situaes tensas ou hostis maior.9

A identificao da cultura de segurana do paciente permite um diagnstico institucional, referente a comportamento, organizao, relacionamento e gerncia. A partir desse conhecimento possvel vislumbrar estratgias para tornar o cuidado de enfermagem mais seguro, em que este cuidado no pode ser visto como uma opo, mas como uma necessidade.10 Nesse contexto, relevante discutir como a da cultura de segurana, nas instituies brasileiras. Devem ser estimulados para os trabalhadores estudos a fim de planejar e realizar intervenes no intuito de fortalecer esse entendimento junto equipe de trabalho. Fato que ir contribuir na mudana da cultura de segurana, pois um processo longo e difcil.

Estudo denota que a gesto focada na qualidade e na segurana do paciente abrange princpios e diretrizes como: criao de cultura de segurana, execuo dos processos de gesto de risco, integrao com todos os processos de cuidado, articulao com os processos organizacionais, adoo das melhores evidncias, transparncia, incluso, responsabilizao, sensibilizao e capacidade de reagir a mudanas.12

Importante ressaltar que o enfermeiro o profissional responsvel pelo quantitativo de profissionais de enfermagem, pelo planejamento das aes da equipe, capacitando-a, bem como promovendo em conjunto com a gesto hospitalar condies de trabalho e aptido na utilizao de recursos materiais. Tendo como prioridade a excelncia do cuidado a ser prestado, para reduzir as barreiras que levam aos eventos adversos.13

Na contemporaneidade, visvel que muitos hospitais, especialmente os que dependem do repasse dos recursos do Sistema nico de Sade, vivem em situaes precrias, em relao aos recursos materiais e humanos suficientes.14 Nessa medida, faz-se mister conhecer a cultura de segurana nas instituies a fim de refletir acerca dos possveis incidentes, eventos adversos e desconforto para a segunda vtima, o profissional de sade.

A partir deste estudo foi possvel identificar a percepo do clima de segurana do paciente segundo a viso dos profissionais tcnicos de enfermagem, pois acredita-se que estes, por estarem em contato direto com o paciente, so agentes transformadores do clima de segurana.

 

CONCLUSO

A satisfao no trabalho e clima de trabalho em equipe foram os nicos domnios que obtiveram mdias satisfatrias, que refle diretamente na qualidade da assistncia prestada. As mdias mais baixas foram em relao percepo da gerncia, aspecto o que pode evidenciar distanciamento entre os profissionais de diferentes nveis hierrquicos. Resultados do estudo apontam fragilidades no clima de segurana dos envolvidos, e estas evidncias devem servir como base para o planejamento e organizao das atividades dentro das instituies, no intuito de qualificar o atendimento e os profissionais atuantes.

Este estudo contribui de forma positiva, para as instituies hospitalares, de ensino e comunidade cientfica, pois retrata como a cultura de segurana de uma instituio hospitalar filantrpica localizada no interior do Estado do RS, sendo necessrio que ocorram mais pesquisas sobre o tema, pois ainda so identificadas lacunas na literatura.

 

Conflitos de interesse

No tem conflitos de interesse.

 

REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

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2. Carvalho REFL, Cassiani SHB. Questionrio Atitudes de Segurana: adaptao transcultural do Safety Attitudes Questionnaire - Short Form 2006 para o Brasil. Rev Latino-Am Enfermagem. 2012 [cited 2015 Feb 10];20(3):1-8. Available from:http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-11692012000300020&script=sci_arttext&tlng=pt

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Recibido: 2016-03-14.
Aprobado: 2016-05-04.

 

 

Catile Raquel Schmidt Cati. UNIJU. Direccin electrnica: catiele.rs@hotmail.com

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